Moradores unidos pela segurança do bairro

March 1, 2014

Instalação de câmeras de segurança, equipamentos eletrônicos de última geração, cuidados redobrados com visitantes e com o recebimento de mercadorias, treinamento de funcionários das portarias são algumas das medidas adotadas pelos condomínios da cidade para aumentar a segurança.

Com o objetivo de formar bolsões de segurança entre prédios residenciais e comerciais, o programa Vizinhança Solidária orientas porteiros a se comunicarem através de rádios ou telefones informando situações suspeitas na rua e a acionarem a polícia nessas ocasiões.

A síndica Luzia Maziero Fernandes participa do projeto desde o início, em 2009, e agora é a coordenadora do grupo Vizinhança Solidária do Itaim Bibi. “Começamos com 11 condomínios e hoje temos 103 em ruas do bairro.” Ela conta que existe uma parceria do grupo com a polícia, por intermédio do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) da região.

Pelo acerto, a polícia tem o compromisso de realizar palestras semestrais com os síndicos e porteiros dos condomínios, alertando e dando dicas de segurança. E, segundo Luzia, este ano a intenção é crescer e fazer com que os moradores também participem das palestras.

Dificuldade. “Os moradores não querem acender a luz interna do carro, abrir o vidro, querem que eventuais entregadores subam até o apartamento. Os próprios funcionários pedem para que eles participem”, diz a síndica.

 

O grupo do Itaim, coordenado por Luzia, tem um estatuto com regras, normas e encontros mensais para discutir o desenvolvimento do projeto. “O porteiro não deixa a função dele de cuidar da portaria, ele não fica apenas olhando o que acontece na rua, mas fica atento e qualquer atitude suspeita avisa os outros edifícios. É um projeto de segurança, de melhoria para o bairro, que está dando certo. É um caminho sem volta.”

A favor. O presidente da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (Aabic), Rubens Carmo Elias Filho, diz que a entidade é favorável ao programa Vizinhança Solidária. “Apoiamos porque é um projeto inteligente que tem a participação da sociedade.”

Elias Filho conta que, assim que a Aabic teve conhecimento da parceria entre Secovi e Secretaria de Segurança, a entidade repassou as informações para administradores de condomínios. “Todos devem estar cientes dos movimentos em prol da segurança dos edifícios.”

Segundo o vice-presidente de administração imobiliária e condomínios do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Hubert Gebara, o sindicato decidiu estimular e conscientizar os prédios a respeito da importância de participar do projeto.

“A assinatura do protocolo de intenção tem o compromisso de unir os esforços para divulgar o programa, com folhetos, palestras e orientações.”

“O projeto está dando certo e contamos uns com os outros”

O programa Vizinhança Solidária surgiu após um grupo de síndicos do Itaim Bibi procurar a Polícia Militar para discutir medidas preventivas de segurança, em 2009. Naquela época, a representante desse grupo foi Maristela Veloso Campos Bernardo, que era subsíndica e decidiu tomar essa atitude depois que o apartamento de sua filha, mais três outros imóveis no mesmo prédio, terem sido invadido em um domingo a tarde.

“Escrevi uma carta e entreguei pelas ruas convocando os síndicos para uma reunião. Reunimos 23 pessoas e criamos uma comissão de segurança.”

 

Ela conta que o nome Vizinhança Solidária já existia e o grupo criou a placa em 2011. “Hoje, mesmo com muitos condôminos que não aceitam as regras, o projeto está dando certo. Sabemos que podemos contar uns com os outros”, diz.

O diretor de Polícia Comunitária e Direitos Humanos da Polícia Militar de São Paulo, coronel Glauco de Carvalho, diz que o programa Vizinhança Solidária está inserido no projeto de policiamento comunitário.

O coronel conta que foi síndico e sabe que uma das maiores dificuldades é conquistar o envolvimento dos moradores. Também por isso ele destaca a importância da parceira com o Secovi-SP. “O Secovi tem acesso a uma rede muito grande de condomínios”, diz.

Expansão inclui acordo entre instituições

Para o vice-presidente de administração imobiliária e condomínios do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Hubert Gebara, o projeto Vizinhança Solidária aumenta a segurança dos porteiros e dos moradores dos edifícios.

Gebara reforça a importância do acordo com a Secretaria de Segurança como um esforço para melhorar a segurança nos prédios. Segundo ele, esse é um passo na direção certa, um modelo que poderá ser seguido. “A parceria deu certo”, diz.

O vice-presidente do Secovi-SP destaca que o programa já foi implantado em outras cidades do País. No Recife (PE) o projeto existe desde 2004 e é conhecido como “Programa de Olho na Rua” e possui grande abrangência.

“Com a participação de administradores de condomínios, síndicos e trabalhadores o programa conquistou maior adesão e hoje são mais de 100 edifícios participantes”, informa.

Integração. De acordo com o coronel Glauco de Carvalho, diretor de Polícia Comunitária e Direitos Humanos da Polícia Militar de São Paulo, programas semelhantes ao Vizinhança Solidária existem há 30 anos em países como Inglaterra e EUA que chegaram a à conclusão de que o poder público sozinhos não resolveria os problemas de segurança pública.

 

“Diante disso, a sociedade civil organizada começou a tomar providências pela segurança. O Vizinhança Solidária está inserido nessa teoria mais ampla, de posturas da comunidade para auxiliar a polícia”, diz.

O coronel esclarece que dentro do programa são estabelecidos contatos e canais diretos entre os condomínios para que eles possam tomar algumas medidas de segurança. “É um projeto muito bem integrado, por isso que necessita do envolvimento das pessoas”, conta.

Segundo o coronel, o comando da corporação vai desenvolver uma sequência de cinco seminários para incentivar projetos ligados ao policiamento comunitário, como o Vizinhança Solidária.

“As pessoas precisam estar conscientes da importância do projeto. Elas precisam saber que é importante para a instituição e para a sociedade. Entender o valor do projeto”, diz.

O coronel Glauco informa que a Polícia Militar desenvolverá um projeto quadrimestral com informações e dicas de segurança para os condomínios, com a intenção de atingir 15 milhões de pessoas no Estado de São Paulo – que é também a estimativa do Secovi, “por isso a importância da parceria com a entidade”, completa o coronel.

 

 

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